quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Assim na terra como no céu.

Assim na Terra como no Céu. Não, não estou falando de religião, afinal esta coluna é de negócios, e como vocês sabem estou no ramo de automóveis, que cada vez mais povoam nossas ruas e avenidas. Não sei se o leitor já percebeu que existe muita semelhança entre o setor da construção civil e o automotivo. Pelo menos na amplitude de ofertas e no rápido crescimento destes dois seguimentos, ah isso sim eu sei que vocês já perceberam.
Então vamos mostrar aqui quantas outras coisas existem em comum. Nos últimos 10 anos o mercado de automóveis na Paraíba não para de crescer, a um ritmo acima do crescimento do Brasil, mas abaixo do que experimenta a nossa região Nordeste. Na construção civil não é diferente, mas o destaque nesta área é maior, pois em termos de construções de habitações para as classes A, AB e B, além das preciosas e emergentes C, D e E, a Paraíba é grande destaque.
Agora repare nos anúncios, puxe pela memória, ou abra o seu jornal predileto, a semelhança vai ficar patente. Comecemos com os anúncios de carros populares, observe que a ênfase das peças publicitárias está nas parcelas, afinal este consumidor quer mesmo saber se estas parcelas cabem no bolso, ou em alguns casos no bolso da família. É a mesma estratégia usada para os imóveis mais simples, com menor área e sem tanta sofisticação. Ambos os produtos são as grandes aspirações da classe que emerge como resultado da evolução da renda por qual passa nosso Brasil, e aqui repito o que já escrevi  em outra coluna, aqui mesmo, este advento é resultado de um processo, amplo e complexo e não simplesmente de um único fato ou pessoa. Estes anúncios contém muitas informações e as chamadas são simples e diretas.
Depois passemos ao meio da escala, os veículos já não são 1.0, utilizam outros motores, o nível de equipamento é bem melhor e até mesmo garantias adicionais fazem parte da oferta. Aqui a parcela também é importante, mas não é a única atração da oferta, vêm junto com atributos do produto, com prêmios recebidos e há por vezes uma certa tentativa de enaltecer qualidades que somente são encontradas em produtos de outra categoria. Na oferta de imóveis as características de negócio se repetem, é como um espelho. Aqui os imóveis também são ofertados como destaques por possuírem características de imóveis superiores, o que o mercado chama de up-scale, as imagens são mais elaboradas e as campanhas também são maiores e estão em diversas mídias. A localização deste tipo de imóvel pode variar entre um lugar tradicional ou um novo polo que o mercado criou. É a mesma coisa com os automóveis, por vezes um fato importante ou uma premiação nacional, catapulta um produto que faz parte do pelotão do meio para ser o destaque do momento. Também vemos nos anúncios dos carros a mesma variedade de mídias, revistas e televisão não faltam nesta receita.
O alvo da nossa conversa agora são os veículos que estão no topo da cadeia, são bem mais caros, oferecem itens de segurança e conforto que muitas vezes não estão presentes nos veículos da categoria logo abaixo desta, têm desempenho bem superior e já carregam consigo um certo status quo que diferencia à quem desfila com um desses por nossas ruas e avenidas.  Vai ser fácil você reparar que os anúncios são mais limpos, as imagens e termos tecnológicos se sobrepõe às informações, e saltam aos olhos a produção fotográfica ou cinematográfica das peças publicitárias. Aqui já é comum estes produtos terem um padrinho ou uma madrinha, um tipo de cartão de visitas pessoal, do tipo, se este cara tem um desses que também posso ou quero ter, e por ai vai. No mundo paralelo da construção, as semelhanças nunca foram tão próximas, a sofisticação é a tônica da comunicação, o status esta presente em todas as frases, as produções se esmeram, e não é incomum encontrar anúncios múltiplos em jornais e revistas, além é claro de TV, e ações de merchandising local, ah quase ia esquecendo, padrinhos e madrinhas aparecerem sempre, sejam eles atrizes e atores de fama nacional, ou celebridades locais, que com a sua imagem, transferem ao empreendimento muito do que representam,  por vezes sendo determinante para o sucesso de vendas dos imóveis.
Não sei se é assim lá no Canadá, mas por aqui, a força de um comercial, somado ao reboliço que as redes sociais imprimiram ao acontecimento, presenciamos em terras Paraibanas o primeiro grande acontecimento das mídias sociais no Brasil.  E a jovem adolescente de sobrenome famoso tomou conta da mídia tradicional, exemplificando o quão poderoso é hoje a ação das mídias sociais em nosso país. Sem dúvida alguma uma grande oportunidade para os estudiosos das mídias e comportamentos sociais estudarem o que realmente aconteceu. Assim como os carros tomam conta das ruas, os prédios tomam conta dos céus de nossa terra.
Até a próxima.
jose_carneiro @hotmail.com

A influência da sociedade na economia.


Particularmente  fico assustado com o rumo que as coisas tomam aqui no Brasil, e a nossa sociedade não dá sinais de que deseja verdadeiramente mudanças. Somos um grande aglomerado de grupos de pessoas, distribuídos em diversas classes e subclasses com interesses tão diversos quanto os valores que defendem. E com isso afeta os negócios da Paraíba? A resposta é tão simples e direta que até carece de explicação, mas vou tentar tomar mais uns minutos do seu precioso tempo e detalhar o efeito maléfico de tal situação, a propósito, afeta e muito.

Economicamente a Paraíba é uma sociedade onde o nosso maior empregador é setor prestação de serviços, sejam eles públicos ou privados; nossa indústria ainda é uma promessa e o comércio depende diretamente do desempenho dos serviços, a agricultura coitada, vive de sobressaltos, o extrativismo e exploração mineral não passam de miragem política de eterna realização em um futuro promissor.

Vivemos hoje um fenômeno que pode ser identificado, mas dificilmente é nominado, pois de tão esquisito, chega a ser desconfortável; que é o surgimento de grandes e novas riquezas de empresas ligadas à prestação de serviços, na sua grandiosíssima maioria para o serviço público, sejam em todos os níveis; municipais, estaduais e federais. Em poucos anos e até mesmo em meses surgem novos jogadores deste certame, e já surgem fortes robustos e capitalizados, como em um passe de mágica.

Aqui não nos cabe nenhum tipo de investigação nem crítica, a sociedade civil organizada e o poder público têm os instrumentos necessários para a busca de respostas para estas perguntas; a nós cabe apenas à análise de como este fenômeno afeta a organização da sociedade e suas consequências.

Formar empresas, criar reputação, história, e deixar uma estrada pavimentada, exemplo para ser seguido, onde o trabalho contínuo e bem feito, respeito aos valores éticos e morais, respeito ao ser humano e a sociedade onde esta empresa está inserida, parecem hoje uma escolha somente para os mais ingênuos, ou os mais firmes de propósito; o bom propósito, diga-se de passagem.  O mais comum é vermos fortunas surgirem de repente, como se mágica fosse; e de uma sala pequena, aflora uma grande empresa, com faturamento de milhões, simples assim, do dia para a noite. Alguém acaba vendendo a alma ao diabo, e dizem que o diabo paga bem.

Identificado o fenômeno, vamos as suas consequências ou suas implicações com os valores que a nossa sociedade atual acredita e professa.

Em passado recente, nosso maior mandatário, recorreu à retórica e ao descaso com os valores morais para afirmar veementemente não ter conhecimento, ligação ou até mesmo, duvidar da existência do que se costumou chamar de mensalão, além é lógico, da celebre frase dita em entrevista ao maior canal de televisão, diretamente de Paris, na afirmativa de que todos os partidos faziam uso do famigerado caixa dois em campanha política. Ele disse isso e muito mais, pois a história registra um sem fim de exemplos, onde os valores éticos e morais de uma nação inteira foram destruídos somente para atender ao desejo político de poder.

Feito a troca democrática, tendo deixado este péssimo exemplo cívico ao nosso país, onde todas as aberrações morais e éticas são coisas tolas e banais, agora passam a ter uma justificativa, ou da negativa vaga, ou da dissimulação ululante.

O espírito democrático e o estado de direito recebem agora mais um golpe de monta similar na comprovação material da mais alta dissimulação, onde o principal ministro do atual governo figura de inteligência reconhecida, tido como um dos principais artífices da governabilidade, do antigo e do atual governo, capitula (moralmente) em entrevista que tinha por objetivo a explicação pública de graves denúncias de enriquecimento ilícito e tráfico de influência, mas que somente serviu para a comprovação de que o poder está acima de qualquer coisa, sendo justificado todo o tipo de atitude para fazer que a sua empresa, que surgiu do dia pra noite, e apareceu faturando milhões de reais em um espaço de tempo muito curto, e rapidamente foi encerrada, atendesse aos mais nobres anseios de parte da sociedade em participar mais ativamente das inúmeras oportunidades que afloram em nossa economia. Justificando ainda de que a sua expertise seria o grande produto que a sua empresa vendia, chamou todos os outros jogadores do mercado de tolos, afinal ninguém que não esteve nem participou das decisões onde o atual ministro atuou e teve acesso, pode possuir nem de longe parte desta tal expertise.

Como disse acima não cabe julgar em uma página. A comprovação simples e imediata que a nossa sociedade aceita tais atitudes, por desinteresse, negligência, ou falta de espírito cívico, mas principalmente porque não professa nem acredita nos valores morais e éticos que regem uma sociedade de futuro é extremamente preocupante, sem esquecer parte da sociedade que fica torcendo para chegar a sua vez de mamar nas telas da vaca sagrada, ou vaca profana, como queiram.

Se quisermos ter um futuro decente e digno, temos que mudar nossos olhos e ouvidos imediatamente, para entender o que se passa pelo poder, seja em escala municipal, estadual e federal, e não aceitar que tais serventuários possam se alvoroçar de direitos que não possuem, e destruir valores que são de uma nação, em benefício próprio ou de alguns poucos, pois caros leitores, como sabemos não existe almoço grátis, e quem paga esta conta somos nós.
Até a próxima.

2012. A chance de lançar uma nova marca para a Paraíba.

O ano de 2012 já se aproxima e 2011 não vai deixar muitas saudades. Um ano complicado, com certo ar de novidade por conta da nova presidente que teve 07 ministros substituídos, um recorde negativo. A inflação não deu folga, o PIP caiu e a economia nos Estados Unidos e na Zona do Euro anda em polvorosa em uma crise de confiança impensável anos atrás. Como se vê 2011 tem várias lembranças, qual foi a sua lembrança preferida deste ano que se encerra?

Para o setor de onde temos atividades o automotivo, este ano foi um ano de confirmação, consolidando um crescimento acima do PIB, e transformando o Brasil no 4º maior marcado global, mesmo não sendo o 4º maior fabricante no mundo, mas caminhamos nesta direção, com maciços investimentos anunciados pelos gigantes do setor. Hoje temos cerca de 39 marcas de automóveis e mais de 60 de motos em atividades no território brasileiro, muitos destes com fábricas ou com anúncio de futuras instalações no Brasil, infelizmente nenhuma por aqui. As marcas mais conhecidas e renomadas ainda dominam com folga o mercado, afinal o patrimônio maior de uma empresa mundial é sem dúvida a sua marca.

Tudo tem uma marca, um desenho, um símbolo, uma história, escrita e iconográfica; e ficará marcado em nossas mentes como experiência de consumo, como experiência de vida.

Aqui no estado da Paraíba temos algumas marcas que já alcançam projeção nacional, e algumas são até conhecidas internacionalmente, mas a nossa principal marca ainda carece de um pouco mais de trato, de cuidado, de capricho mesmo, é a marca Paraíba.

Faz alguns anos que nossa imagem no cenário brasileiro é deletéria, só aparecemos em manchetes que destratam nossa terra, nossa gente e nossos valores. A Paraíba hospitaleira da canção hoje é pura violência, e nosso sol já não brilha como no passado. Somos hoje uma pátria da politicagem, como tema permanente de muitos noticiários a troca de acusações entre parlamentares, entre partidos, intrigas sem fim, e muitas vezes sem começo; não é portanto, nenhuma surpresa que a cassação de nossos governadores e senadores seja destaque negativo na imprensa brasileira. Quando não são os políticos são suas obras, ou suas ações escusas; fomos destaques na merenda escolar e na saúde, ambas negativamente; sendo assim a marca Paraíba vai ficando cada vez mais sem brilho, sem valor, sem emoção, sem cor.

Nosso estado perdeu a muito a direção que levava ao destaque honroso e progressista, mas isso é apenas um dos frutos de uma sistemática desarticulação dos valores locais, afinal, rádios, jornais e televisões daqui só têm olhos para a politicagem, portanto não temos nada de bom para oferecer lá fora.

Nossas conquistas, nossa economia, nossos empreendedores são anónimos; nossas instituições não têm espaço; e quase não produzimos heróis; sendo assim nos resta muito pouco a oferecer.

Como aqui cabe sonhar, bem que nós gostaríamos de poder responder positivamente às demandas da marca Paraíba. Ficaríamos felizes de saber que somos um estado de destaque em alguma produção industrial ou cultural de peso em nosso país. Seria ótimo saber que somos a ponta de lança em tecnologias, que dominamos temas complexos e que nosso povo vive em condições de vida melhores de saúde, habitação e transporte. Seria igualmente espetacular saber que somos porto de destino de novas indústrias que nos escolheram por oferecermos a melhor infraestrutura em energia, transporte e formação profissional. Que nosso sistema tributário é austero e eficiente ao mesmo tempo, que planeja e investe de maneira a garantir à Paraíba um futuro ainda mais promissor e um presente concreto de desenvolvimento. Não teria maior satisfação a um paraibano em poder afirmar estes desejos acima, mas o que temos hoje apenas faz a realidade se tornar ainda mais distante destes sonhos propostos pelo autor.

A iniciativa privada na Paraíba tem feito esforços incomensuráveis, a construção civil, o comércio varejista e atacadista, e o setor de serviços estão entre os que mais crescem no Brasil, porém nossa indústria e principalmente a nossa agricultura ainda enfrenta desafios sem fim. O poder público vacila em não atender desejos básicos de nossa gente. Talvez nosso legislativo e judiciário pudessem produzir mais em prol da Paraíba, transformando os quadros de abandono e pobreza vigentes.

Fica aqui o nosso apelo aos que comandam nossa pequena e forte Paraíba, pensem e ajam com destreza e sabedoria, com ações efetivas, capaz de lançar a marca Paraíba nos holofotes do Brasil e do mundo, trazendo um futuro de prosperidade à nossa gente.
Até a próxima.